“Nenhum escritor pode ter medo do absurdo”, diz Loyola

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Salão de Ideias aconteceu no dia 8 de fevereiro, a partir das 19h, na sede da Fundação, em Ribeirão Preto (SP). Na ocasião, também foi realizado, simultaneamente, o encontro mensal do Clube de Leitura, com análise e reflexão das obras do escritor: "Não verás país nenhum" e "Os olhos cegos dos cavalos loucos”. Mais de 100 pessoas participaram do encontro

_DSC1383Discutir um romance premiado que antecipou acontecimentos da atualidade brasileira e narrar uma história pessoal da infância, com todo cuidado adquirido ao longo de uma vida toda. Os dois livros de Ignácio de Loyola Brandão, “Não verás país nenhum” e “Olhos cegos dos cavalos loucos”, apresentados pelo Salão de Ideias e pelo Clube da Leitura da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, atraíram um público de diferentes faixas etárias. A plateia não perdeu cada vírgula da fala descontraída e reveladora do autor.

Loyola relatou sua experiência como escritor, contou passagens de sua carreira de jornalista, falou o que foi escrever durante a ditadura e trouxe peculiaridades da construção do texto, da criação dos personagens e até momentos da sua intimidade. O bate papo apresentou cenas, imagens e relatos de sua própria vivência, sempre anotados em cadernetas. “Tenho hoje 5.912 cadernetas e anoto tudo o que vejo, ouço e o que me desperta interesse”. Esses registros viram crônicas, obras, personagens e histórias. “Inspiração é olhar, escutar, conversar, saber a vida em volta, conhecer pessoas, o seu país”.

 A vinda a Ribeirão Preto para um encontro com quem realmente já tinha lido seus livros  o estimulou a compartilhar com o público um material inédito: o livro escrito paralelamente à produção da obra – a cópia original. “Na verdade, neste livro anotei cada passo que eu dava. É como um diário, mas nunca o mostrei a ninguém”. O escritor comentou que são tantas observações pertinentes, que já até pensou em publicá-lo. No registro há explicações preciosas, todas o ajudaram a tomar decisões sobre obra final.

Esse trabalho é sempre um árduo processo, na visão de Loyola e, exige uma perspicácia, como abrir mão de trechos redigidos, reescrever, inventar novas possibilidades, reler exaustivamente. “Reescrevi 38 vezes o final de “Não Verás País Nenhum”. Eu queria um final ambíguo, mas não sou eu que dou o final. São vocês, leitores”.

_DSC1370O autor lembrou que quando entregou o livro pronto para o editor, foi questionado se quem ia de fato o ler eram os loucos? A indagação trouxe uma expectativa de fracasso, mas a primeira edição, circulada em 1981, contrariou o comentário e se esgotou em oito dias, às vésperas do Natal. “Tivemos que arrumar uma gráfica que imprimisse o livro rapidamente e ele nunca mais parou de vender. Já são mais de 1 milhão de exemplares vendidos nestes anos”.   Também questionado até hoje sobre o tom profético da obra, ele explica: “Não é um livro profético. Sou bom observador e o que está no livro era tudo o que eu via da janela.

Já o livro “Os olhos cegos dos cavalos loucos” é uma experiência pessoal muito marcante, de um acontecimento que revela traços da relação amorosa com seu avô, de quem ele carrega o retrato e divide com a plateia. Uma peraltice de menino, guardada em segredo a vida toda, mas que veio à tona num circuito de literatura, que participou ao lado da escritora Marina Colasanti. Ao final do debate, o público pediu aos dois para contarem uma história. Lá, narrou o fato pela primeira vez. “Quando terminei de contar a história com meu avô, vi mulheres chorando na plateia e decidi – vou escrever este livro”. E a obra nasceu algumas horas depois, ainda no hotel. “Levei 70 anos para escrever essa história. Uma lembrança que me agoniava o peito, mas virou literatura”, revelou. Para ele, escrever é isso: pôr para fora o que se traz por dentro. “Por sorte eu sei captar o que está ao meu redor e na minha escrita não há um só elemento que não venha desta minha realidade”.

Ainda sobre o ofício de escritor, ele traduziu: “com a coragem e a loucura se faz um livro. Nenhum escritor pode ter medo do absurdo”.

Palavras combinadas

Ignácio de Loyola Brandão, nascido em Araraquara em 1936, é escritor e jornalista, tem 43 livros publicados entre romances, contos, cônicas, viagens, infantis e infantojuvenis. Traduzido para 14 línguas tem cinco Prêmios Jabutis em suas estantes. Escreve quinzenalmente no Caderno 2 de O Estado de São Paulo e passou a integrar o grupo de cronistas do Jornal A Cidade de Ribeirão Preto, a partir de janeiro deste ano.

Entre suas obras, as cinco principais são: Os Olhos Cegos dos Cavalos Loucos, ed. Moderna, 2014; O Mel de Ocara, ed. Global, 2012; Zero, ed Global, 30 edições a partir de 1979; Não verás País nenhum, ed. Global; 28 edições a partir de 1982; O verde violentou o muro, ed. Global, 20 edições a partir de 1986: O Beijo não vem da boca, 16 ed. Global, 16 edições a partir de 1985.

O Salão de Ideias e o Clube da Leitura  realizados simultaneamente  em Ribeirão Preto com Ignácio de Loyola Brandão são ações o do Plano Anual da Fundação, aprovado pelo Programa de Ação Cultural – ProAC. Este foi também o primeiro contato do escritor com o público do projeto Combinando Palavras. Além dele, participarão do projeto os autores : Luís Fernando Veríssimo, Nélida Pinõn, Lya Luft, Zuenir Ventura. O escritores farão interação com cerca de 5.500 estudantes durante a Feira Nacional do Livro, a ser realizada de 4 a 11 de junho.

O Combinando Palavras é uma realização da Fundação do Livro e Leitura em parceria com a Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto e apoio do Sesc. Para participar, as escolas devem fazer suas inscrições por aluno participante e escolher o autor que vão trabalhar. Cada escritor poderá receber 1.100 inscritos, número de lugares do Theatro Pedro II.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site da Fundação, pelo link: http://www.fundacaodolivroeleiturarp.com/combinando-palavras. O período de inscrições prossegue até o final do mês de fevereiro ou até acabarem as vagas por autor.

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