Ballet para eles

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Em Blumenau, Santa Catarina, homens falam da dança que os fez superarem obstáculos, preconceitos e a encontrarem o equilíbrio entre o corpo e a mente

bailarino_imagem_release_896272Ao som de Tchaikovsky, de Minkus ou de Prokofiev eles dançam. Sentem-se livres e criam asas quando estão no palco. Demonstram disciplina, vigor e emoção. Sejam solos ou acompanhados por elas, eles transformam a dança clássica em um espetáculo de encher os olhos e a alma de beleza e redenção. Luz, música, coreografias, braços, pernas, corpo, sensibilidade e superação. O ballet, reduto e sonho de muitas meninas, é, também, e na mesma proporção, o sonho e a paixão de muitos meninos. Em Blumenau, Santa Catarina, homens se emocionam ao falar da dança que os fez superarem obstáculos, preconceitos e a encontrarem o equilíbrio entre o corpo e a mente.

Residindo atualmente em Buenos Aires, Argentina, e estudando na Universidad Nacional de las Artes, no curso de “Licenciatura en Composición Coreográfica mención Danza-Teatro”, Renan Rebello Angeli, 23 anos, não imaginava que a dança hoje seria o seu primeiro amor, o impulso de vida e a sua fonte de manifestação mais potente. “Minha curiosidade pela arte sempre foi muito forte! Foi através do teatro que fiz um trabalho sobre uma diretora, Pina Bausch, e depois disso minha vida mudou de rumo. Entrei em uma escola de ballet clássico para aprimorar meus estudos e me deparei com uma quantidade de regras e movimentos que desconhecia. Se pudesse definir o ballet utilizaria as palavras: memorização, coordenação e aperfeiçoamento”, explica. Angeli ainda acrescenta que, por sorte, não teve problemas de negação dos pais: “tive apoio e incentivo, alterando toda a configuração quando o tema é ser homem e bailarino”. Para o estudante, a dança comunica e em alguns momentos é a única maneira em que ele consegue se expressar. “São muitas horas de esforço e trabalho que se desfazem e se realizam em poucos minutos. Não existe melhor momento do que a troca que acontece quando bailarino e público respiram o mesmo ar, comungam de um mesmo sentimento”.

bailarino_imagem_release_896270À frente da Master Ballet, em Blumenau, há nove anos, a professora, coreógrafa e diretora Rita Albuquerque comenta que a dança clássica ainda é vista como uma atividade feminina. “Essa é uma realidade cruel para com os meninos, pois a dança é unissex. Importante salientar que a relação entre meninos e meninas no ballet é de companheirismo, amizade, cumplicidade e de confiança”. Rita ainda complementa que a idade ideal para iniciar no ballet tanto para meninos quanto para meninas é a partir dos quatro anos. “Meninos iniciam geralmente na adolescência ou a partir dos 18 anos. O ballet se divide em fases: baby-class ou pré-ballet (dos quatro aos seis anos), infantil (dos sete aos nove anos), infanto-juvenil (dos 10 aos 13 anos), Intermediário e Avançado. Há várias formas de dividir os alunos por classes, mas a idade e a maturidade técnica são as mais importantes”, destaca ela.

O ballet não só esculpe e condiciona o corpo, mas também ensina disciplina, superação, garra, determinação e perseverança, elevando também a autoestima, comenta Rita: “A dança clássica ensina aos seus praticantes disciplina pessoal, estimulando a busca pelo desafio e pela superação, pois ao desenvolver habilidades e lutar pela conquista de seus objetivos, adquirem confiança e maturidade. Acredito no ballet ensinado com responsabilidade, no passar a técnica correta para que cada aluno ou aluna desenvolva seu potencial ao máximo, sempre sendo a sua melhor versão”.  Mas nem todos os bailarinos seguem carreira. “Em média, são necessários de oito a 10 anos para se formar bailarino. Mas, às vezes, há falta de incentivo, infelizmente. Ainda assim, a disciplina, a superação e outros ensinamentos da dança seguirão com os alunos pelo resto de suas vidas, seja qualquer carreira que escolherem”, acrescenta a coreógrafa.

Depois de entrar nas aulas de ballet, em 2015, Rodrigo Uliano, 34 anos, precisou parar em 2016 por conta de uma cirurgia no ombro direito. Neste ano, ele retornou às aulas de duas horas por semana. “Entrei no ballet para melhorar a minha postura como dançarino e penso que homem que é homem também faz ballet. Quando estou no palco sinto como se Deus tivesse me dado asas”, desabafa.

Rita Albuquerque afirma que é muito importante a contratação de professores sérios nas escolas de dança: “Os bons profissionais se dedicam uma vida inteira ao ballet, primeiro como estudantes/bailarinos, depois como professores. Assim, podem ensinar corretamente a técnica do ballet clássico, que é muito abrangente, dos passos mais simples até os movimentos de técnica mais apurada, respeitando o tempo e o potencial de cada estudante”.

O artista Dyego Olimpio, 22 anos, começou a estudar ballet há um ano, depois de ser convidado para fazer uma aula experimental da dança, em uma oficina de artes. “Quando entrei na sala, encontrei um outro universo, onde as pessoas falavam um vocabulário diferente, uma mistura de francês com uma espécie de libras que usa as mãos e os pés. Umas roupas justas que suportam todo o esforço e trabalho que os bailarinos passam para poder expressar sua dança em poucos minutos no palco. Depois de conhecer este novo universo, eu ensaio 10 horas por semana, para dialogar com o mundo através da dança”, explica.       

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