Endividamento das famílias brasileiras continua em queda

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018Dificuldade de crédito faz com que as famílias se endividem menos e inadimplência tende a deixar de crescer, aponta Boletim do Ceper/Fundace

O endividamento das famílias brasileiras em relação à renda continuou caindo nos últimos meses. De acordo com o Boletim Crédito do Ceper/Fundace, baseado em dados do Banco Central, em outubro de 2017, o endividamento foi de 41,27%. 

“A queda reforça a trajetória de redução do endividamento das famílias, iniciada em setembro de 2015, especialmente pela fragilidade da situação econômica nacional, levando a uma restrição do crédito por parte das instituições financeiras”, pontua o pesquisador do Ceper e coordenador do estudo, Luciano Nakabashi. 

Operações de Crédito – A inadimplência das carteiras de crédito, isto é, o percentual dos empréstimos com mais de 90 dias de atraso também continuam em trajetória descendente. Em dezembro do ano passado, este número chegou a 3,55% para pessoas físicas e 2,92% para pessoas jurídicas. No mesmo mês, o saldo de pessoas jurídicas, que se manteve abaixo do de pessoas físicas desde dezembro de 2016, apresentou nova queda em relação ao mês anterior, ao passo que o saldo de pessoas físicas teve um ligeiro aumento. 

No somatório, o saldo da carteira de crédito ficou, ligeiramente, menor que o do mês anterior, fechando em R$ 3,06 trilhões. “Embora, a economia já mostre sinais de recuperação e se observe a retomada do crédito nos últimos meses de 2017, de maneira geral, a tendência de queda do saldo de crédito se deve ainda, principalmente, ao baixo nível de atividade econômica no País e à incerteza em relação ao futuro”, comenta Nakabashi. 

Todas as regiões analisadas pelo Ceper apresentaram variação negativa nas modalidades de operações de crédito, empréstimos e financiamentos. Destacam-se os financiamentos em geral que, em nível nacional, apresentou variação negativo de 18% e de 28,1% no interior do estado de São Paulo. 

Algumas cidades também tiveram quedas bastante expressivas, como Campinas (- 32,7%) e Franca (-63,2%). Alguns municípios apresentaram variações positivas nas operações, especialmente, na modalidade de financiamentos imobiliários. O destaque fica com Sertãozinho, que apresentou elevação em três modalidades: operações de crédito (5,5%), financiamentos imobiliários (2,1%) e agronegócios (32,1%). 

Na análise dos pesquisadores do Ceper, a trajetória persistente de retração do estoque total de crédito reforça a ideia de que a economia vem passando por um processo de ajuste que, ainda que difícil, será importante para a retomada da atividade econômica. 

A inadimplência das famílias está num patamar estável, com leve queda nos últimos meses. Seu endividamento, assim como o das empresas, apresenta trajetória de queda e o saldo da carteira de crédito das famílias apresenta certa estabilidade. 

Além disso, o processo de redução da taxa Selic, que já atingiu 6,75% ao ano no início de 2018, vem estimulando as instituições financeiras, pessoas físicas e jurídicas a buscarem alternativas de investimentos com maior rentabilidade em relação à remuneração dos títulos públicos.

 “Essas constatações consolidam um quadro para recuperação nas operações e colocam o crédito como um fator carro-chefe para a retomada do crescimento econômico”, conclui Nakabashi. 

O Boletim Crédito completo pode ser acessado no site da Fundace neste link: https://www.fundace.org.br/_up_ceper_boletim/ceper_201802_00346.pdf

 

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